domingo, 27 de setembro de 2009

Viva Hélio Oiticica

Hélio Oiticica nasceu em 1937 no Rio de Janeiro (RJ), e morreu em 1980. Estudou pintura com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna, em 1945. Participou do Grupo Frente (1955-1957) e do grupo Neo-Concreto (1959-1961). Em 1959, realizou as primeiras estruturas espaciais e em seguida as primeiras experiências ambientais. Desde então recusou todo o conceito convencional da arte e da obra de arte.
A partir de 1963 criou os “Bólides” (caixas-construções com diferentes materiais); de 63 até o final da década de 60, no Rio, realizou uma série de eventos ambientais e de participação coletiva (Parangolé, 1965; Sala de Sinuca, 1966; Tropicália, 1967; Apocalipopótese, 1968).
De 1970 em diante, realizou, em Nova York, projetos utilizando as mais variadas linguagens (textos, performances, filmes etc). De volta ao Brasil em 1978, realizou as manifestações ambientais “Nas Quebradas e Rijanviera”, e o evento coletivo “Kleemania”.
Oiticica foi um artista de vanguarda, radical na busca da experiência-limite, desenvolveu uma linguagem muito pessoal em sua obra de caráter tanto construtivo quanto desconstrutor.
Sua inventividade não se dava apenas no campo das artes plásticas. E de Hélio, por exemplo, a criação do termo “tropicália”, título de uma obra sua, exposta em 1967. Essa palavra foi adotada tempos depois por Caetano Veloso na canção-manifesto do movimento musical com mesmo nome.
Hélio também participou da literatura concreta dos anos 50. Foi na casa do pai de Hélio que Ferreira Gullar fez o “Poema Enterrado”— uma caixa d’água enterrada no quintal. Dentro dela encontrava-se vários cubos coloridos e embaixo de tudo a palavra “rejuvenesça”. Segundo Gullar, esse foi “o único poema com endereço da literatura brasileira”.
Para o crítico e escritor Bernardo Carvalho, “uma das principais questões da arte de Hélio Oiticica (...) é justamente a confusão entre vida e obra, colocando a arte fora da definição corrente de arte, onde ela é menos esperada, fora da legitimização oficial, para que possa voltar a ser arte de verdade. Daí as comparações entre o artista e o poeta, ator e dramaturgo francês Antonin Artaud. Desde seus ‘penetráveis’ (ambientes concebidos para que o espectador vivesse uma experiência ao penetrá-los), nos anos 60, até os ‘parangolés’ (arte para ser vestida e não mais simplesmente observada), tudo em Hélio Oiticica girava dentro da perspectiva de transformar a vida em arte, cada milímetro de vida, o que explica a metamorfose da experiência cotidiana do artista em obra, através das instruções e anotações obsessivas que deixou.”

A fim de conhecer mais sobre os trabalhos deste grande artista, que muito contribuiu para a arte no Brasil e no mundo, assistam a este video:

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