sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Se vira, o problema não é nosso"

É impressionante o fato que aconteceu recentemente-terça feira, dia 22/09-na minha escola. A cada época a relação aluno-escola se configura de uma forma específica. Nessa terça feira aconteceu o seguinte fato: trocaram uma sala de lugar pois os alunos da mesma não agüentavam mais o barulho que vinha da quadra e atingia diretamente dentro da sala, atrapalhando assim qualquer tipo de aprendizagem e etc... no entanto, a sala na qual foram transferidos é uma sala muito afastada, e pouco arejada, resultado: os alunos não gostaram e voltaram a reclamar com a direção. Segundo o que se consta, a supervisora chegou na sala bem estressada –porque estamos em semana de provas, e mesmo assim alguns professores tem faltado por motivos de saúde, deixando assim, coordenadores em geral sobrecarregados- e a mesma começou a dizer que a escola esta superlotada, tem mais alunos que deveria ter, são poucas as salas e as mesmas não podem agradar a todos, porque a escola é antiga e, essas coisas que dizem os diretores. No entanto, um aluno pediu licença para falar, e começou a explicar pra coordenadora que esse tipo de problema não diz respeito a eles –alunos- mas sim a direção, e finalizou dizendo “se vira, o problema não é nosso...”. Foi o necessário para que tirasse do sério a coordenadora, que com todo o estresse acumulado –como se isso fosse problema nosso/dos alunos- começou a gritar na sala, querendo de toda forma colocar a culpa nos alunos, e enfim... Começou a remoer todo tipo de problemas tanto profissional quanto pessoal; encaminhando em seguida o aluno para a diretoria. O resultado disso tudo se deu a uma suspensão de três dias para o aluno e, comunicação com a família que teve de comparecer na escola para uma reunião especifica de “pais e mestres”. O que me impressiona nisso tudo é que a escola vem querendo formar conceitos como consciência critica e social sendo que a mesma não tem dado o exemplo necessário. .Essa pratica pedagógica da escola tem sido “construída” ao longo do tempo: educandos e educadores têm sido os principais agentes dessa construção. Muitas regras e normas são elaboradas com a intenção de refletir a necessidade do grupo, ou seja, estar a serviço desse mesmo grupo. O respeito dos coordenadores escolares aos seus alunos, mesmo perante problemas com os mesmos, deveria ser colocado em prática e será também avaliados minuciosamente, para que o mesmo possa proporcionar benefícios significativos à comunidade escolar. Só queremos um pouco mais de igualdade na escola, e uma voz mais ativa para assim expormos nossas idéias e princípios. Temos o direto ao livre arbítrio e devemos sim fazer o uso do mesmo. Cobram-se muito de nós, mas quando reivindicamos uma cobrança pacifica a eles a resultado é sempre o mesmo, uma demora lastimável e uma falta de respeito na qual precisa ser contextualizada para tirar-lhe o caráter do fenômeno natural que, por ser esperado, já que é natural, não é problematizado nem questionado.

3 comentários:

  1. Boa Gustavo! Falou tudo, cara, é por aí mesmo. Esse pessoal enche o peito do poder que têm e não conversa com o aluno de igual para igual, acham que não podem estar errados, só porque ocupam certos cargos.

    Mas a gente é cliente, e cliente é que tem sempre razão, hehe.

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